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domingo, 27 de agosto de 2017

Opinião - Os Meninos de Irena, Tilar Mazzeo




Em plena Segunda Guerra, nos sussurros desesperados dos judeus, um nome passa de boca em boca: o de Irena Sendler, a jovem assistente social que está disposta a tudo para salvar as crianças judias dos campos de concentração. Quando, em 1942, Irena entrou no gueto de Varsóvia, o que viu dilacerou-lhe o coração. Ela sabia o destino de cada um dos judeus com quem se cruzava todos os dias. E foi incapaz de ficar indiferente. Começou a percorrer as ruas do gueto, bateu a todas as portas e pediu aos pais que lhe confiassem os seus filhos. Sob a vigilância apertada do regime nazi, Irena começou a levar as crianças para fora do gueto, e rumo à liberdade. Escondidas em caixões ou debaixo de sobretudos, em fuga pelo sistema de esgotos ou por passagens secretas entre edifícios, não havia nada que ela não estivesse disposta a fazer… Com a ajuda das mães, do seu amante judeu na Resistência, de amigos e vizinhos, Irena salvou cerca de 2500 crianças. Mas Irena fez mais ainda: manteve sempre um registo da verdadeira identidade de todos os meninos e meninas, para que um dia pudessem reencontrar os seus entes queridos. Receando ser descoberta, enterrou a lista sob uma macieira no jardim de uma amiga. Não podia imaginar que cerca de 90% das famílias dessas crianças não sobreviveria ao Holocausto. Irena Sendler correu riscos inimagináveis para salvar inocentes da barbárie nazi. É uma heroína da Segunda Guerra, considerada a versão feminina de Oskar Schindler. Foi nomeada para o Prémio Nobel da Paz em 2007, o ano que antecedeu a sua morte aos 98 anos. Esta obra é a devida homenagem à sua humanidade e bravura.


Opinião
Encontrei este livro por acaso numa ida à Bertrand e a capa chamou-me a atenção por isso li a sinopse e o livro foi logo para a minha wishlist. Nunca tinha ouvido falar de Irena Sendler até esse dia.
O livro começa com a infância de Irena e vamos seguindo o seu crescimento e vida familiar. Quando chega à faculdade decide ser Assistente Social que é uma área em desenvolvimento na Polónia e desde cedo mostra a sua vontade de ajudar o próximo. Casa-se bem cedo mais por convenção social do que por amor, e o afeto que tinha pelo marido vai desaparecendo porque ele não queria que ela trabalhasse, queria que ela ficasse a cuidar da casa e tivesse filhos.
Quando a Polónia e invadida pelos alemães e soviéticos vamos acompanhando as mudanças que vão ocorrendo e como lei após lei os judeus vão perdendo os seus direitos. Não foi algo repentino mas algo gradual e por isso penso que não levou a revoltas por parte deles e quando se aperceberam de que estavam só à espera para morrer, milhares já tinham morrido. O livro também relata os números que são conhecidos em termos de mortes e sobreviventes.
Enquanto que o povo judeu era para ser sujeito à 'Soluçao Final', os polacos teriam de ser moldados de acordo com um padrão ditado pelos alemães: todo o conhecimento, cultura, identidade polacos, o que os caracterizava como um povo era para ser destruído. Universidades, teatros, hospitais, bibliotecas foram destruídos. Médicos, professores, activistas políticos eram mortos e alguns enviados para campos de trabalhos forçados. Os soviéticos também foram responsáveis por isto na época em que eram aliados dos alemães.
Irena e varios amigos, conhecidos e professores ao preverem o que se ia passar começaram a organizar movimentos de resistência contra os invasores além de tentarem extrair crianças judias do gueto de Varsóvia e arranjar-lhes documentos falsos e famílias de acolhimento. Sabe se que pelo menos 2500 crianças foram assim salvas do extermínio.
Todo o livro está bem documentado e as fontes de informação que a autora utilizou podem ser acedidas e para mais esclarecimentos sobre tópicos que não tenham sido aprofundados no livro a autora deixa o seu contacto de correio eletrónico. O porquê de certos tópicos não terem sido mais aprofundados também está justificado no final. No final temos também um índice digamos, com todas as pessoas que faziam parte dos amigos e colaboradores de Irena e qual o seu papel no salvamento das crianças, adultos e na resistência polaca.

5 estrelas

sábado, 12 de agosto de 2017

Opinião - A magnífica Sophie, de Georgette Heyer



Após alguns anos a viver em Lisboa, Sophy Stanton-Lacy é enviada para Londres pelo seu extravagante pai, o diplomata Sir Horace. A recebê-la estão os tios, os lordes Ombersley. Entre a incredulidade e o horror, os aristocratas veem-na  chegar acompanhada de um papagaio, um cavalo, um macaco, e um galgo chamado Tina. As surpresas não ficam por aqui. Os modos “latinos” de Sophy são um escândalo perante o qual a jovem não se deixa intimidar. Principalmente quando decide que há muito a mudar no seu – ainda que temporário – novo lar. A começar pelos primos: o arrogante Charles está noivo de uma mulher enfadonha; a bela Cecilia perdeu-se de amores por um poeta estouvado; e o imprudente Hubert está refém de um agiota. Parece que a magnífica Sophy chegou mesmo a tempo de os salvar a todos das suas vidas deprimentes. 
Todavia, ela não contou com a reação de Charles. Se o jovem herdeiro tivesse antecipado a perturbação que Sophy causaria, nunca a teria recebido. Agora que o mal está feito, a solução é arranjar-lhe um marido conveniente que a tire de sua casa rapidamente. Uma urgência cujas razões ele prefere não aprofundar. Mas este cupido amador parece estar perante uma tarefa fácil, pois Sophy sonha em encontrar uma alma gémea. Os seus devaneios românticos é que poderão surpreender Charles… ou talvez não…


Opinião

Este livro tinha uma jacket o que não é particularmente comum, talvez para que o livro seja mais atrativo para o público. No entanto eu prefiro a capa original (a direita) pois a primeira além de não ter nada a haver com a protagonista parece uma foto de catálogos de noivas.

A escrita da autora lembra me imenso o estilo da Jane Austen com a crítica á sociedade da época vitoriana feita através dos comentários mordazes da protagonista mas tendo em conta as limitações sociais da mulher na época em questã,o e a diferença da época em que cada uma das escritoras viveu.
É um romance fofinho que se desenrola muito lentamente e do qual os protagonistas se apercebem mesmo já perto do final.
Não há cá cenas picantes como na maioria dos romances de época. O que cativa no livro são as situações caricatas criadas pela protagonista e o modo como ela resolve tudo, sem no entanto ultrapassar os limites do aceitável ou credível para a época. A forma como ela dá o troco ás personagens mais ranhosas fizeram me rir as gargalhadas.
Foi uma agradável surpresa!

Quem já leu?

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

A Educação de Felicity - Marion Chesney - Opinião


Sinopse

Numa época em que as mulheres da nobreza só dispõem de duas opções - casar ou esperar que um parente rico morra - as irmãs Tribble não têm sorte nenhuma. Não só ainda não encontraram o amor como, após anos de bajulação a uma intratável tia velha, veem o seu nome apagado do testamento aquando da sua morte.
As românticas Amy e Effie Tribble sonhavam com ricos jantares de carne assada e batalhões de criados aduladores mas agora estão oficialmente na penúria. Ironicamente, é neste cenário desolador que lhes ocorre uma ideia brilhante: colocar a sua educação esmerada ao serviço das jovens mais "difíceis", apresentá-las à sociedade e arranjar-lhes casamento.
Não contavam que a sua primeira cliente fosse Lady Felicity Vane, cuja rebeldia ameaça enlouquecer a sua própria mãe e arruinar o projeto sentimental de Amy e Effie. A jovem prefere caçar com os amigos a pensar em casar. Mal ela sabe que o seu suposto pretendente é o homem que mais a irrita (e que mais irritado se sente por ela). Felicity nunca admitirá que o seu coração treme ao ver Charles Ravenswood, principalmente porque o elegante marquês parece não ter paciência nenhuma para as suas extravagâncias. O clima entre ambos é tão tenso que, se soubessem o que as irmãs planeiam, o resultado seria, no mínimo, desastroso…


Opinião

Este romance de época distingue-se da maioria das publicações do mesmo género pois se por um lado temos o desenrolar da história de Felicity e Charles, por outro temos as tentativas das irmãs Trible que para melhorarem a sua situação económica, tentam apresentar Felicity à sociedade e estimular um possivel romance entre ela e Charles. A Felicity está sempre a colocar-se em situações que não lembram a ninguém para se tentar livrar das duas irmãs, mas por outro lado as irmãs arranjam maneiras bem peculiares para a castigarem, o que proporciona umas quantas gargalhadas durante a leitura.É uma leitura leve, descontraída e rápida, sendo uma boa companhia para as férias de Verão.





Pelas fotos acima, podem ver que o livro tem ilustrações lindas em todas as páginas, facto que me agradou imenso, ou não se chamasse este blog Pretty Books :)